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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O cristal do seu sapato.

O cristal do seu sapato aperta seu pé.
E ela anda com presteza.
Não há lentidão alguma, a olho nu.
Mas ela está quase lá.
Está quase caindo.

Oh, como é incrível o poder dessa garota de suportar.
Ela não chora por que é fraca.
Ela chora porque aguentou muito.
A dor a corrompe.
E queima.
E destrói.
E alastra.
E rasga.
E comprime.
E gangrena
cada pedacinho dela.

E o cristal do seu sapato aperta seu pé.
E ela anda com presteza.
E assim ela vai andando.

O calo do tamanho do dente de trás dela foi extraído.
A sua pele é irreversível.
Mas não há lentidão alguma a olho nu.
Mas ela está quase lá.
Está quase subindo.

E as paredes de seu útero estão doendo muito.
A sua persistência é incrível.

Mas não há lentidão alguma a olho nu.
Mas ela está quase lá.
Está quase subindo.


Oh, como é incrível o poder dessa garota de suportar.
Ela não chora por que é fraca.
Ela chora porque aguentou muito.
A dor a corrompe.
E queima.
E destrói.
E alastra.
E rasga.
E comprime.
E gangrena
cada pedacinho dela.

E o cristal do seu sapato aperta seu pé.
E ela anda com presteza.
E assim ela vai andando...

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